quarta-feira, 8 de julho de 2009

Futuras Publicações do CEHA - Resumos (1)

PETIT, Eduarda Maria Sousa Gomes, 2009, A Madeira na Primeira Metade de Setecentos, Colecção TESES, n.º 1, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 342 pp. [CR-ROM]

RESUMO
A Madeira na Primeira Metade de Setecentos

O presente estudo contempla a História da sociedade do Arquipélago da Madeira na primeira metade do Século XVIII. Era uma sociedade tripartida que inclui grupos sociais emergentes, em consequência das grandes riquezas trazidas pelo aumento da produção e da rendibilidade do vinho. A este elemento de transformação social acrescenta-se o incremento do comércio externo que se deve à situação geográfica da Madeira e ao contributo dos mercadores britânicos radicados na sua metrópole e nas colónias das Índias Ocidentais e que contam com o apoio dos ingleses que se estabelecem na Ilha, a que se junta, ainda, a situação favorável trazida pelos acordos luso-britânicos.
O número de pequenos proprietários rurais cresceu, ao tempo, em São Vicente, graças à mobilidade na posse da terra e aos rendimentos da venda dos géneros agrícolas, com destaque para o vinho, produto de maior aceitação no mercado. Nas velhas sociedades do Antigo Regime, o essencial assenta na distribuição da terra, sendo a divisão da propriedade agrária o maior problema das classes rurais. O aumento dos lucros do vinho provocou o absentismo dos proprietários rurais e a entrega da exploração agrícola aos feitores, rendeiros e caseiros. A actividade mercantil aumentava, crescia o número de barcos que atravessava o Atlântico; a Madeira encontra mercado para a sua produção vinícola, cujo aumento de vendas acompanha a atlantização da economia. O vinho era o grande motor da transformação social da primeira metade de Setecentos. A Ilha era o observatório, por parte de franceses e espanhóis, dos movimentos bélicos e de contrabando do Império Britânico no seu comércio transoceânico. 
Se hoje se guarda riqueza em bens imóveis ou em dinheiro líquido, então, devido à escassez monetária, o espólio de peças de ouro e prata pertença de vários grupos sociais, sinal de poder de compra, era uma maneira de entesouramento.
As rendas aduaneiras possibilitaram o apoio real à edificação e restauro de muitas igrejas da Madeira, mas o património local também foi enriquecido com a iniciativa particular.
Palavras-chave: sociedade; Madeira; vinho; britânicos; património
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ABSTRACT
Madeira in the First Half of the 18th Century

The present study contemplates the History of the society of the Archipelago of Madeira in the first half of the 18th Century. It was a triparted society that includes emergent social groups, as a consequence of the great wealth brought by the increase of the production and the rendibility of the wine. To this element of social transformation adds the increment of the external trade, due to the geographic situation of Madeira and to the contribution of the British merchants settled in their metropolis and in the colonies of the Western Indies, who have the support of the Englishmen established in the Island, to whom also adds the favorable situation brought by the Luso-British agreements.
The number of small rural landowners grew, at the time, in São Vicente, thanks to the mobility in the ownership of the land and to the incomes of the sale of agricultural products, with prominence for the wine, the product of greatest acceptance in the market. In the old societies of the Early Modern Times, the essential lies in the distribution of the land, being the division of the agrarian property the biggest problem of the rural classes. The increase of the profits of the wine provoked the absentism of the rural landowners and the delivery of the agricultural exploration to the «feitores», «rendeiros» and «caseiros». The trade activity increased, the number of boats that crossed the Atlantic grew; Madeira finds market for its wine production, whose increase of sale follows the atlantization of the economy. The wine was the great engine of social transformation of the first half of the 18th Century. The Island was the observatory, by the Frenchmen and Spanishmen, of the warlike movements and contraband of the British Empire in its transoceanic trade.
If today wealth is kept in real estates or in liquid money, in that time, due to monetary scarcity, the estate of gold and silver parts belonging to some social groups, signal of purchase power, was a way of saving money.
The customs incomes made possible the support by the crown to the construction and restore of many churches of Madeira, but the local patrimony was also enriched with private initiative.
Keywords: society; Madeira; wine; British; patrimony
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RÉSUMÉ
Madère dans la Première Moitié du XVIII siècle

La présente étude décrit l’histoire de la société de l’archipel de Madère dans la première moitié du XVIIIe siècle. C’était une société tripartite qui incluait des groupes sociaux émergents, en conséquences des grandes richesses apportées par l’augmentation de la production et de la rentabilité du vin. A cet élément de transformation social s’ajoute le développement du commerce extérieur du à la situation géographique de Madère et à la contribution des marchands britanniques habitant dans leur métropole et dans leurs colonies des Indes occidentales et qui recevaient l’aide des anglais établis dans l’île, à quoi on ajoute encore la situation favorable apportée par les accords luso-britanniques.
A cette époque, le nombre des petits propriétaires a augmenté à São Vicente grâce à la mobilité de la possession de la terre et à la vente des récoltes agricoles, principalement du vin, produit très demandé sur le marché. Dans les sociétés de l’Ancien Régime l’essentiel était la distribution de la propriété dans laquelle la division était le plus grand problème. L’augmentation des intérêts sur le vin a provoqué l’absentéisme des propriétaires ruraux et la remise de la propriété aux «feitores», «rendeiro» et «caseiros». L’activité mercantile a augmentée en même temps que le nombre de bateaux qui traversaient l’Atlantique; Madère trouvait un marché pour sa production vinicole, dont l’accroissement des ventes accompagnait l’atlantisation de l’économie. Le vin était le grand moteur de transformation social dans la première moitié du XVIIIe siècle. L’île était le point d’observation, des français et des espagnols, des mouvements de guerres et de contrebandes de l’empires britannique dans son commerce transocéanique.
Si aujourd’hui on peut avoir des fortunes en immeubles ou en argent liquide, à l’époque à cause du manque d’argent, les pièces en or et en argent qui appartenaient aux divers groupes sociaux, signe du pouvoir d’achat était une façon d’épargner l’argent.
Les bénéfices des douanes rendaient possible l’aide du roi à la construction et à la restauration des églises de l’île, mais le patrimoine local a été aussi enrichi par l’initiative des particuliers.
Mots clés: société; Madère; vin; britanniques; patrimoine

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RESUMEN
Madeira en la Primera Mitad del Siglo XVIII

El presente estudio describe la historia de la sociedad del archipiélago de Madeira en la primera mitad del siglo XVIII. Fue una sociedad tripartita que incluía grupos sociales emergentes, en consecuencias de las grandes riquezas aportadas por el aumento de la producción y la rentabilidad del vino. A este elemento de transformación social se añade el desarrollo del comercio exterior debido a la situación geográfica de Madeira y a la contribución de los negociantes británicos que viven en su metrópolis y en sus colonias de las Indias Occidentales y que recibían la ayuda de los ingleses establecidos en la isla, a que se añade aún la situación favorable aportada por los acuerdos luso-británicos.
En esta época, el número de los pequeños proprietarios rurales aumentó en São Vicente gracias a la movilidad en la posesión de la tierra y a la venta de los productos agrícolas, principalmente del vino, producto de mas grande aceptacion en el mercado. En las sociedades del Antiguo Régimen, el fundamental assenta en la distribución de la tierra, en la cual la división de la propiedad era el mayor problema. El aumento de los beneficios del vino causó el absentismo de los proprietarios rurales y la entrega de la propiedad a «feitores», «rendeiros» y «caseiros». La actividad mercantil aumentaba, crescia el número de barcos que cruzaban el Atlántico; Madeira encontraba un mercado para su producción vinícola, y el aumento de las ventas acompañaba el atlantizacion de la economía. El vino era el gran motor de transformación social en la primera mitad del siglo XVIII. La isla era el punto de observación, para franceses y españoles, de movimientos belicos y de contrabando del Imperios Británico en su comercio transoceánico.
Si hoy se guarda riqueza en edificios o en dinero efectivo, en la época, debido a la falta de dinero, las partes en oro y en plata que pertenecían a los distintos grupos sociales, señal del poder adquisitivo, eran una manera de ahorrar dinero.
Los beneficios de las aduanas hacían posible la ayuda del rey a la construcción y a la restauración de las iglesias de la isla, pero el patrimonio local también fue enriquecido por la iniciativa de los particulares.
Palabras clave: sociedad; Madeira; vino; británicos; patrimonio

sexta-feira, 22 de maio de 2009

SEMINÁRIO: REPÚBLICA E REPUBLICANOS NA MADEIRA (1880-1926)

Com o fito de assinalar o primeiro centenário da Implantação da República em Portugal, o CEHA organizará, no próximo ano de 2010, um seminário subordinado ao tema República e Republicanos na Madeira (1880-1926), que decorrerá de 25 a 29 de Outubro.

Inscrição - e mais informações: CEHA - Colóquios e Seminários

MOBILIDADES HUMANAS NA HISTÓRIA E LITERATURA - SEMINÁRIO INTERNACIONAL - 12-13 de Novembro de 2009

O Centro de Estudos de História do Atlântico e o Centro Cultural John dos Passos, organismos da Secretaria Regional de Educação e Cultura (MADEIRA), organizam com periodicidade anual, desde 2008, um encontro para debater a problemática das Mobilidades Humanas. Este espaço, que se pretende multidisciplinar, está aberto à participação de todos os especialistas interessados, que anualmente terão oportunidade para intervir num debate plural. Também é intenção dos promotores, através desta iniciativa, chamar a atenção de todos os interessados para a necessidade de maior debate, estudo e valorização do tema.

Data: 12 a 13 de Novembro de 2009

Local: FUNCHAL - MADEIRA

Organização: Centro de Estudos de História do Atlântico/Centro Cultural John Dos Passos (Secretaria Regional de Educação e Cultura/MADEIRA)

Data de Inscrição: 30 de JUNHO de 2009

Email: avieira@inbox.com

Página para informações: CEHA - Colóquios e Seminários

terça-feira, 19 de maio de 2009

Futuras Publicações - CEHA

Colecção Teses

Eduarda Maria Sousa Gomes Petit: A Madeira na Primeira Metade de Setecentos

Isabel Maria Freitas Valente: As Regiões Ultraperiféricas Portuguesas: Uma Perspectiva Histórica

Luísa Marinho Antunes: O Romance Histórico e José de Alencar. Contribuição para o Estudo da Lusofonia

Paulo Jesus Ladeira: A Talha e a Pintura Rococó no Arquipélago da Madeira (1760-1820)

Lina M. Camacho Pestana: Estratégias Narrativas na Obra A Gloriosa Família de Pepetela

Colecção Debates

AAVV: O Açúcar Antes e Depois de Colombo. Seminário Internacional de História do Açúcar

AAVV: Actas do IX Colóquio Internacional de História de las Islas del Atlántico

Cada uma das edições será feita em suporte digital, consistindo num ficheiro em formato PDF (Portable Document Format), presente em CD-ROM.

sexta-feira, 27 de março de 2009

CONGRESSO MUNDIAL DE ESTUDOS INSULARES – MADEIRA – 26 a 30 de Julho de 2010

O Centro de Estudos de História do Atlântico, enquadrado no programa das comemorações dos 25 anos de actividade da instituição, decidiu realizar um congresso subordinado ao tema Estudos Insulares. Tal evento assumirá preponderantemente a forma de debate, o qual não se deverá restringir apenas à História mas pretende-se que seja alargado às outras ciências. Os grandes temas que propomos são: o Mundo das Ilhas, as Ilhas Míticas e Fantásticas, as Ilhas na Ficção e Literatura, Historiografia, Geografia, Formas e Metodologias: Insularidade, Identidade, Nissologia.

O encontro terá lugar no Funchal (Ilha da Madeira – Portugal) nos dias 26 a 30 de Julho de 2010.
Aceitam-se inscrições para painéis e intervenções livres até ao dia 30 de Junho de 2009.

Toda a informação deverá ser solicitada ao coordenador do encontro com as seguintes coordenadas:

Alberto Vieira
Email: avieira@inbox.com, ou alberto.vieira@madeira-edu.pt

[post modificado a 22 de Maio]

Debate: Repensar os Estudos Insulares Hoje

1. Apresentação. O presente milénio é considerado como sendo o do Pacifico e das ilhas. Esta ideia de G. McCall revela a importância que as ilhas assumem na comunidade científica actual. 
A valorização das ilhas no pós Segunda Guerra Mundial está na origem da afirmação dos estudos sobre o mundo e a realidade insulares: “Ao longo da História, as ilhas foram menosprezadas e cobiçadas. Depois da Segunda Guerra Mundial, a emergência dos Estados insulares no concerto das nações, a Convenção sobre os Direitos do Mar, a definição da Zona Económica Exclusiva (ZEE) e o incremento do turismo provocaram mudanças de tal ordem na percepção da insularidade que, em certos meios leigos e eruditos, passou-se a falar dos “mares das ilhas”, do “milénio dos ilhéus” e mesmo da Nissologia “ciência do mundo insular”. (TOLENTINO, ANDRÉ CORSINO, 2006). A História tem evidenciado esta situação a ponto de F. Braudel afirmar que “La gran historia, en efecto, pasa frecuentemente por las islas; acaso sería mas justo, tal vez, decir que se sierve de ellas” (BRAUDEL,1953, p. 129). 
São múltiplos os motivos que conduzem a esta situação e que fazem com que o mundo insular adquira cada vez mais importância nos areópagos científicos internacionais, com particular incidência para a França, Canadá e Austrália. O debate científico insiste cada vez mais em perspectivas interdisciplinares, sendo a valorização do universo insular resultado primeiro da preocupação de geógrafos e antropólogos. O alargamento do debate às demais ciências acontece por força deste impulso inicial. 
A definição do espaço e a forma como este interage com a população e a influencia nos diversos níveis é uma dominante dos debates. Dentro deste contexto podemos assinalar a problemática da insularidade e a forma como ela interage com a política, economia, sociedade e psicologia. Aqui a literatura procura rastrear as influências desta situação na produção literária. A isto junta-se a ideia de um espaço próprio que as ilhas definem e que condiciona de forma evidente a sua História e a dos seus habitantes. A definição de uma identidade insular conduz por fim a um discurso académico que está na origem da Nissologia, definida à letra como a ciência das ilhas.

2. Coincidindo com a publicação do primeiro número do Anuário do Centro de Estudos de História do Atlântico, e num momento de refundação da própria instituição, com as mudanças em curso no presente ano, enquadrado no programa das comemorações dos 25 anos de actividade da instituição, considerou-se por bem dedicar este volume a um debate alargado sobre os conhecimentos e saberes das ilhas. Aqui pretende-se fazer o ponto da situação dos estudos realizados desde a década de oitenta até ao presente momento, bem como colocar questões e linhas orientadoras sobre a investigação presente e futura sobre o universo insular. Hoje, mais do que a relação das ilhas com os continentes ou com as metrópoles, interessa conhecer a realidade das próprias ilhas. Foi neste sentido que surgiu na década de oitenta do século passado a Nissologia, que queremos seja uma referência para este debate que pretendemos realizar.
A nossa preocupação e âmbito de actuação não se prendem apenas com as ilhas atlânticas mas abarcam todas as ilhas do Mundo, cuja presença é mais evidente na nossa sociedade. Assim, traremos ao debate especialistas das ilhas Atlânticas (Madeira, Açores, Canárias, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Santa Catarina, Prince Edwards Islands, Irlanda, Guernsey...), do Mediterrâneo (Sicília, Crete, Córsega, Baleares, Sardenha...), Caraíbas (Cuba, Puerto Rico, Jamaica, Santo Domingo, Guiana, Virgin Islands...), Índico (Maldivas, Maurícias, Seychelles, Madagáscar, Reunião, Zanzibar...), Pacífico (Papua Nova Guiné, Fiji, Havai, Nova Caledónia, Nova Zelândia, Filipinas, Samoa, Solomon, Tahiti, Taiwan, Macau, Timor...).

O debate a ser realizado não se deverá restringir apenas à História mas pretende-se que seja alargado às outras ciências. Os grandes temas que propomos para debate são: o Mundo das Ilhas, as Ilhas Míticas e Fantásticas, as Ilhas na Ficção e Literatura, Historiografia, Geografia, Formas e Metodologias: Insularidade, Identidade, Nissologia.
O encontro propiciador do debate mencionado terá lugar no Funchal (Ilha da Madeira – Portugal) nos dias 26 a 30 de Outubro de 2009.
Aceitam-se inscrições para painéis e intervenções livres até ao dia 30 de Junho de 2009.
Toda a informação deverá ser solicitada ao coordenador do encontro com as seguintes coordenadas:

Alberto Vieira
Email: avieira@inbox.com, ou alberto.vieira@madeira-edu.pt

[post modificado a 22-05]

25 Anos do CEHA - Mudanças

O Centro de Estudos de História do Atlântico (CEHA), criado em 1985 pelo Governo Regional da Madeira, para dedicar-se ao estudo comparado dos arquipélagos atlânticos da Macaronésia, tem desenvolvido nos últimos anos um conjunto significativo de actividades no sentido da promoção dos estudos destes arquipélagos, com especial destaque para as análises comparadas. Agora, a completar vinte e cinco anos de actividade, pretende-se dar um novo impulso à instituição alargando o espaço de intercâmbio e de debate às demais ilhas do mundo. Para além disso, a inauguração de um novo espaço físico de trabalho vai permitir uma maior intervenção e cooperação, ficando assim apto a receber investigadores nacionais e estrangeiros que pretendam realizar pesquisas entre nós.

Nesta nova fase da instituição pretendemos estabelecer convénios de cooperação com outras instituições e cooperar na realização de eventos e projectos de investigação que tenham as ilhas como referência fundamental. Deste modo entramos em contacto convosco, investigadores e académicos, no sentido de demonstrar a nossa disponibilidade em cooperar na pesquisa e divulgação dos estudos insulares.

De entre os projectos que estamos empenhados no presente momento, e relativamente aos quais gostaríamos de poder contar com a vossa colaboração, destacamos o primeiro numero do Anuário do Centro de Estudos de História do Atlântico, que será dedicado a repensar os Estudos Insulares; para além disso estamos preparando um Congresso sobre os Estudos Insulares a ter lugar de 26 a 30 de Julho do próximo ano, como forma de comemorar os 25 anos de actividade do CEHA a 30 de Julho de 2010.