sexta-feira, 21 de maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Concerto - Orquestra de Acordeões do Gabinete Coordenador de Educação Artística

No âmbito das comemorações dos 30 anos do Gabinete Coordenador de Educação Artística, a Secretaria Regional de Educação e Cultura / DRE, apresenta um concerto com a Orquestra de Acordeões do Gabinete Coordenador de Educação Artística, hoje, dia 07 de Maio, às 21h30, no Centro de Estudos de História do Atlântico.
Neste concerto, cujo programa incidirá fundamentalmente sobre obras do género ligeiro, serão interpretados temas de diversos compositores de renome, entre os quais António Marota, Astor Piazzolla e A.L. Webber. Podemos, também, dar destaque ao tema Rapsódia Madeirense, um arranjo do Prof. Manuel das Neves Vieira, que será interpretado pela Orquestra de Acordeões.
Esta orquestra foi constituída em 1990 e, neste momento, é composta por 15 elementos. A Direcção Artística desta Orquestra é do Prof. Márcio Faria. Este evento é uma co-produção da Associação de Amigos do GCEA e do Centro de Estudos História do Atlântico.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Resumo de "A Madeira entre 1820 e 1842: relações de poder e influência britânica", de Paulo Rodrigues

A Madeira entre 1820 e 1842: relações de poder e influência britânica, Funchal, 500Anos, 2008, p. 783.

"A História Contemporânea da Madeira permanece um mar desconhecido e esta circunstância condiciona a investigação sobre os séculos XIX e XX. Por um lado, torna necessário encontrar respostas para algumas questões básicas (a respeito das realidades política, económica e social), sem as quais qualquer tomada de posição ou tese se pode desenvolver; por outro lado, impõe cuidados redobrados ao investigador, que tem de lidar com um imenso manancial de informação (manuscrita e impressa) e que, para além disso, sente necessidade de - muitas vezes - contrariar ideias feitas, que o tempo e a repetição exaustiva nos apresentam como verdades irrefutáveis, embora sem um verdadeiro fundamento histórico.
O livro sobre o qual vamos falar encontra-se dividido em cinco capítulos. No primeiro, apresentam-se as conjunturas (internacional, atlântica, portuguesa e insular madeirense), explicando-se a importância do legado das guerras napoleónicas, a ascensão britânica e o início da sua hegemonia mundial. Depois, tendo sempre presente que o objecto da investigação foram as relações de poder e a influência britânica na Madeira, analisam-se (capítulos segundo e terceiro) as duas primeiras experiências liberais na Ilha: o primeiro triénio (1821-1823), de pendor radical, e o período de transição e reforma que se lhe seguiu (1823-1828), de cariz moderado. No quarto capítulo, debruçamo-nos sobre os seis anos de guerra civil e de domínio dos miguelistas (1828-1834). E, por último, já no capítulo quinto, analisamos o período 1834-1842, com o regresso da ordem liberal e as profundas divisões políticas, nas quais o elemento britânico também foi preponderante.
Durante o vintismo, destacamos quer o forte sentimento anti-britânico de alguns sectores (da cabala anglomana do governador Manoel de Noronha, à mira da Inglaterra, de Francisco de Oliveira), quer a importância do Foreign Office e do cônsul Henry Veitch na emergência e afirmação do inédito conceito de adjacência.
Depois, analisamos as estruturas e a organização da comunidade britânica, que tinha na Igreja e no exercício da actividade comercial os seus dois principais alicerces: a primeira dava-lhe coesão, contribuindo para promover a unidade numa comunidade onde existiam, saliente-se, profundas divisões; a segunda concedia-lhe o rendimento e parte da sua capacidade de influência. Veitch, o decano dos cônsules britânicos na Europa, foi sempre um dos que melhor o percebeu, reflectindo-se esta consciência na gestão que realizou, tanto dos assuntos comunitários, como das relações com as autoridades insulares.
A segunda metade dos anos Vinte ficou marcada pela guerra civil. A Madeira, acabou por ceder às investidas dos miguelistas, embora tenha sido a última das suas conquistas, da mesma forma que também foi a última das suas cedências, em 1834. Em qualquer dos casos, foi relevante a influência britânica, desde logo no sentido de se realizarem transições tranquilas, evitando-se sempre qualquer conflito armado.
Tudo isto não impediu, como é evidente, que se tivessem verificado problemas de vário teor, quer de oposição ao consulado de Veitch (a partir da própria comunidade britânica e desde o Foreign Office), quer de disputa com as autoridades portuguesas, o que chegou a levar, inclusive, ao afastamento temporário do cônsul, em 1828. Viveu-se então um tempo de alguma instabilidade e muita tensão, com a Madeira dividida entre miguelistas e liberais, contando as duas facções com apoio(s) entre os britânicos.
Com a vitória dos apoiantes de D. Pedro, inaugurou-se uma nova fase nas relações madeirenso-britânicas, que se caracterizou quer pelo reflexo na Ilha da tensão gerada entre os governos de Lisboa e de Londres, quer pela radicalização das divergências no seio da comunidade britânica residente, que levaram ao afastamento definitivo de Veitch e à nomeação de um novo cônsul, George Stoddart. Registaram-se então duas alterações significativas: o fim de uma fase no serviço consular na Madeira, que se iniciara com as guerras napoleónicas; e o início de novas vias de influência, cada vez mais assentes no peso comercial dos interesses britânicos na Ilha e no Atlântico, assim como na sua estreita relação quer com os interesses gerais do Reino de Portugal, quer com os interesses insulares madeirenses.
É neste âmbito que se deve entender, por exemplo, a criação da Associação Comercial do Funchal, a renovação da questão pautal, o problema da Conservatória Britânica, a presença da Ilha nas negociações para o novo Tratado de Comércio luso-britânico (assinado em 1842) e, inclusive, a extrema proximidade entre o madeirense Barão do Tojal, ministro de Estado, e o embaixador britânico em Lisboa, Howard de Walden.
Estamos assim perante uma investigação que se encontra ainda muito longe de estar terminada. Com ela pretendemos dar o nosso contributo a dois níveis: indagar sobre o teor e a verdadeira extensão do poder britânico na Madeira, mostrando ainda qual o papel da Ilha nas políticas externas de Portugal e da Inglaterra; e demonstrar a importância do conhecimento da História da Madeira para uma melhor compreensão da História de Portugal Contemporâneo."

Paulo Miguel Rodrigues
Funchal, Maio de 2010